Alckmin e Arce partiram do rio Pinheiros, no Cebolão, e navegam pelo Rio Tietê, verificando a fase 2 da obra
Foto: Sérgio Andrade
Com a inauguração da nova eclusa do Rio Tietê, a primeira a ser construída nos limites da capital, no dia 20 de janeiro de 2004, o Governo paulista entrega mais uma obra dentro do plano estadual de combate às enchentes, que inclui ainda o rebaixamento da calha do Tietê, barragens e piscinões. A eclusa funciona como "elevador" de águas, para ajudar as embarcações a transpor os desníveis ou barragens. No segundo semestre, com a obra de aprofundamento da Calha do Tietê completa, a eclusa estará a pleno funcionamento.
A eclusa - localizada na altura do Cebolão, interligação entre as Marginais Tietê e Pinheiros - permitirá a navegação pelo Rio Tietê num trecho de 40 quilômetros, entre a barragem de Edgard de Souza, em Santana do Parnaíba, e a barragem da Penha, zona oeste da capital. Com 122 metros de comprimento, 12 de largura e dez de altura, a eclusa permitirá vencer um desnível de 3,2 metros de água, nas proximidades do Cebolão.
Além de tornar o Tietê navegável, a eclusa permitirá que a limpeza do rio seja feita por barcos. "O desassoreamento do rio, que é um trabalho permanente, poderá ser feito sem prejudicar o tráfego nas Marginais", explica Mauro Arce, secretário estadual de Energia, Recursos Hídricos, Saneamento e Obras de São Paulo. "O lixo recolhido poderá ser transportado em barcaças, não mais por caminhões".
A cada eclusagem, subida e descida de embarcações, com o uso de duas barcaças, a capacidade de transporte prevista é de 300 toneladas. Sem a eclusa, esse material retirado do Tietê teria que ser transportado em 20 caminhões. Em relação ao material escavado, do total de 6,8 milhões de metros cúbicos previstos, de solo e rochas, mais da metade já está fora da calha do Tietê. Também já foram retirados quase 100 mil pneus e 11,5 mil toneladas de lixo e detritos.
A ampliação da calha do Rio Tietê - com rebaixamento médio de 2,5 metros e alargamento da base em até 45 metros - é a principal obra do Programa de Combate às Enchentes do Governo do Estado de São Paulo. O conjunto inclui a construção de barragens e de reservatórios de contenção, os chamados "piscinões", a canalização de córregos e a urbanização das Marginais.
A segunda etapa da obra começou em março de 2000 e a conclusão está prevista para o final de 2004. São 24,5 quilômetros de extensão, do Cebolão (barragem móvel), na foz do Rio Pinheiros, até a barragem da Penha, zona leste da capital. O resultado parcial, com 67% da obra concluída, já pode ser visto: mesmo com toda a chuva que caiu nesse período, o rio não transbordou, não inundou as pistas que recebem um fluxo diário de 700 mil veículos nem as casas da região.
"A ampliação da calha vai dobrar a capacidade de vazão do Tietê e diminuir drasticamente a possibilidade de extravasamento das águas do leito do rio, reduzindo ao máximo a possibilidade de enchentes", afirma Arce. "Mas é necessário a colaboração de todos, não deixando lixo às margens dos córregos e vigiando para que não se jogue lixo dentro dos rios pois já retiramos do Tietê quase cem mil pneus que, com certeza, não chegaram ali rodando."
O Governo do Estado de São Paulo já investiu mais de R$ 900 milhões nesse grande plano de drenagem, executado pelo DAEE (Departamento de Águas e Energia Elétrica) da Secretaria de Energia. A obra começou em 1998 e está sendo realizada em parceria com o JBIC - Japan Bank for International Cooperation, que financia 75% do programa. Na fase 2 estão sendo aplicados R$ 731 milhões: R$ 537 milhões financiados pelo JBIC e R$ 194 milhões investidos pelo Governo do Estado.
Na primeira etapa, concluída em 2000, a calha foi aprofundada em 2,5 metros, em média, numa extensão de 16 quilômetros do Rio Tietê: entre o Cebolão e o início do lago da barragem Edgard de Souza (que inclui os municípios de São Paulo, Osasco, Barueri, Carapicuíba e Santana do Parnaíba). Isso aumentou a capacidade de vazão do Tietê de 700 para 1180 metros cúbicos na altura do Cebolão; de 840 para 1440 metros cúbicos na altura da Edgard de Souza. Ainda nessa fase, foram retirados 4 milhões de metros cúbicos de rochas e assoreamento.
Em alguns pontos, o trabalho já alcançou as margens do Tietê, última etapa da obra, e a lama acumulada dará lugar a jardins. A ampliação da calha beneficia moradores da capital e Região Metropolitana, que vivem e transitam nos bairros próximos ao RioTietê e seus afluentes, como os Córregos do Aricanduva, do Tamaduateí e do Pirajussara. Na Bacia do Pirajussara, também estão sendo construídos dois piscinões, com capacidade total de armazenamento de 233 mil metros cúbicos. Um deles é no Jardim Mitsutani e outro na Av. Eliseu de Almeida.
Além da obra da calha, o Governo paulista está realizando o Projeto Tietê, a maior operação de saneamento ambiental do país. Para despoluir o rio, está se ampliando a coleta e tratamento de esgotos da Região Metropolitana, evitando o lançamento de poluentes na Bacia do Alto Tietê. Na fase 1, que começou em 1992 e terminou em 1998, foi investido US$ 1,1 bilhão. Na segunda etapa do Projeto Tietê, iniciada em 2002, a previsão total de investimentos é de US$ 400 milhões, metade financiado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e metade pela Sabesp/BNDES.
Na primeira fase, as grandes obras construídas foram as três estações de tratamento de esgoto (ETE) - em São Miguel Paulista, no Parque Novo Mundo e no ABC, para evitar o lançamento de 550 milhões de litros de esgoto nos rios e córregos da Grande São Paulo. A ETE de Barueri teve a capacidade aumentada de 7 para 9,5 mil litros de esgoto por segundo e foram construídos 1.842 quilômetros de tubulações de esgoto, 250 mil ligações domiciliares de esgoto; 1.500 quilômetros de redes coletoras de esgoto; 315 quilômetros de coletores-troncos e 37 quilômetros de interceptores.
Na segunda etapa, a prioridade da Sabesp é a construção de novas obras para coletar os esgotos das residências e conduzi-los às estações de tratamento construídas na primeira etapa. Até 2005, a previsão é que cerca de 300 milhões de litros de esgotos deixarão de ser despejados diariamente nos rios e córregos da Região Metropolitana. São 1.340 km de tubulações de esgotos; 290 mil ligações domiciliares; 1.200 km de redes coletoras; 107 km de coletores-troncos; 33 km de interceptores de esgotos.
Atualmente, São Paulo tem 77% do esgoto tratado e com as obras passará a 87%. O índice de esgoto coletado será superior a 90%. A despoluição do Tietê é difícil porque ele recebe grande quantidade de poluição do Rio Tamanduateí, que por sua vez transporta carga de esgoto muita alta dos municípios da região do ABC que não são ligados à Sabesp e não têm esgoto tratado. Ainda assim, a mancha de poluição do Tietê, que chegava a Barra Bonita, cidade localizada a 250 quilômetros da capital, retrocedeu e está próxima a Itu, atestando uma recuperação de 100 quilômetros do rio.
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